A história das IPAs

Da Companhia da Índia Oriental à criação do IPA day: A história das IPAs.

Não há dúvidas de que a IPA (India Pale Ale) é um dos estilos mais conhecidos (e queridos) pelos amantes de cervejas. O carinho por esse estilo é tão grande que em 2011 foi criado nos Estados Unidos o International IPA Day, comemorado em vários países até hoje (inclusive aqui no Brasil) sempre na primeira quinta-feira do mês de agosto.

Mas você sabe como surgiu o estilo IPA?

Primeiramente, vale lembrar que, apesar do nome – India Pale Ale – o estilo nasceu na escola inglesa no final do século XVIII, quando a Inglaterra tinha na India a sua principal colônia na época e, portanto, uma demanda latente por cerveja.

A ideia de fabricar cerveja local mostrou-se impraticável por uma série de problemas: o clima era muito quente (e ainda não existia refrigeração artificial), fornecimento precário de água e ausência dos insumos básicos como cevada e lúpulo. A única solução, que seria transportar as Ales de Londres a Calcutá, também foi inicialmente frustada. As ales doces não aguentavam os 4 ou 5 meses de viagem e chegavam a seu destino chocas e azedas.

Foi então que, na década de 1790, o já conhecido cervejeiro londrino George Hodgson, da Bow Brewery fez 4 modificações que tornariam as Pale Ales “robustas” o suficiente para o desafio:

• Aumento do teor alcóolico, tornando a bebida menos apta a contaminações;
• Doses extras de lúpulo, que além do aroma e amargor agem como um conservante natural;
• Adição de açúcar nos barris de madeira, mantendo a fermentação ativa por mais tempo e dificultando a entrada de outros microrganismos;
• Dry-hopping, que consiste em uma nova adição do lúpulo “a frio” durante a maturação;

Estas modificações permitiram que a cerveja chegasse à Índia em excelente forma: seca, frutada, amarga e alcóolica!

Durante muitos anos, essa Pale Ale dedicada à Índia (daí surgem os primeiros registros de India Pale Ale) era a principal bebida dos colonos ingleses que lá estavam. A ironia é que as IPAs eram desconhecidas na própria Grã-Bretanha até meados de 1827, quando um navio carregado delas naufragou no mar da Irlanda e alguns barris da bebida foram leiloados em Liverpool.

As IPAs nos dias atuais

No final do século XIX, o desenvolvimento da refrigeração artificial permitiu a fabricação de cervejas na Índia e, com a popularização das Lagers (cervejas mais leves e refrescantes) em todo o mundo, houve um declínio gigantesco na produção de IPAs.

Poucas IPAs seguiram em produção após a revolução das lagers, e o comércio do estilo estava focado basicamente à Grã-Bretanha foi assim até a explosão da Beer Revolution, nos EUA durante as décadas de 80 e 90.

Este movimento, encabeçado principalmente por cervejeiros artesanais e caseiros não só resgatou como também criou uma variação própria do estilo IPA, As American IPAs, mais lupuladas e refrescantes que a versão inglesa.

AS VARIAÇÕES

American IPA – é a versão mais popular do estilo, possui em sua composição generosas doses de lúpulo (sejamos sinceros, possui muito lúpulo e se o mestre cervejeiro tem dúvidas de que já tem lúpulo demais, ele coloca ainda mais lúpulo), que conferem aroma e amargor intenso à cerveja

English IPA – esta é a forma como os ingleses fazem, a mais antiga. Tem uma característica de malte mais acentuado que a versão americana e um aroma de lúpulo mais discreto e com outro perfil aromático, já utiliza versões européias.

Imperial IPA – também chamada de Double IPA ou Double Pale Ale, é a versão mais potente da IPA. Amargor ainda mais acentuado, doses exageradas de lúpulo e teor alcoólico elevado. Para quem quer algo bem extremo.

Session IPA – o contrário da Imperial, a Session IPA aposta em baixo teor alcoólico sem perder as características lupuladas. São cervejas desenhadas para serem bebidas em maior quantidade.

Belgian IPA – cerveja com base nos estilos belgas mas com mais amargor e aroma, utilizando muitas vezes até lúpulos americanos, que não aparecem nas receitas tradicionais belgas.

Apesar de sua imagem aparentemente truculenta para bebedores de primeira viagem, uma IPA bem feita é deliciosamente convidativa e refrescante.

Nota: Este post foi escrito com auxílio do livro “The Brew Master’s Table” (A Mesa do Mestre Cervejeiro) do Garret Oliver.

Sobre Leandro Webster

Sou um Gerente de Projetos especialista em e-commerce. Apoio as IPA's e o lúpulo. Meu sobrenome se lê vêbister, não uébister. Rascunho de homebrewer

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