Escolas Cervejeiras

Que atire a primeira pedra quem aqui nunca ouviu falar sobre “A famosa Escola Belga” (aos fãs de futebol, estamos falando da famosa escola de CERVEJAS BELGAS, não sobre a fantástica geração Belga), ou ainda “esta cerveja está de acordo com a “Escola Alemã” e por aí em diante, mesmo que, muitas vezes não fique claro o que seria uma escola cervejeira. Pois o post de hoje tem, como principal objetivo, exemplificar o que são e quais as principais escolas cervejeiras existentes, partindo do princípio que falamos no post anterior da nossa série, Aprendendo sobre Cerveja | Famílias de Cerveja , onde vimos que  existem duas famílias principais de cerveja, Ales (de alta fermentação) e Lagers (de baixa fermentação), sendo que, o que diferencia as duas, é o tipo de levedura utilizada para fermentá-la.

escolas cervejeiras

O Que são e quais são as escolas cervejeiras que existem atualmente?

O termo “Escolas Cervejeiras” é utilizado para definir uma determinada metodologia  de produção de cerveja de algum país ou região, já que antigamente os estilos de cerveja costumavam ser regionais e cada local possuía sua própria levedura, e como não eram manipuladas, ficavam restritas geograficamente. Mas atenção, isso não significa que somente aquela escola produza determinado estilo.

A literatura cervejeira mais “tradicional” define apenas três escolas cervejeiras: Escola Alemã, Escola Belga e a Escola Inglesa. Mas aqui neste post também falaremos sobre a Escola Americana, não tão tradicional e secular quanto as demais mas que está em constante desenvolvimento.

Escola Alemã

escolas cervejeiras-alemaA escola Alemã é marcada fortemente pela Reinheitsgebot, Lei da Pureza da Cerveja de 1516, que identifica como os únicos ingredientes da cerveja, o malte de cevada, o lúpulo e a água (Como a levedura ainda não havia sido identificada até Louis Pasteur descobri-la em meados do sec. XIX, ela não consta na lei da Pureza da cerveja original). Devido à lei, era proibido fazer cerveja com qualquer outro tipo de cereal que não a cevada malteada ou qualquer outro tipo de tempero que não o lúpulo, isso garantia a qualidade da cerveja produzida e criou uma forte identidade da cerveja germânica, fazendo com que a Alemanha ficasse conhecida como o berço das cervejas Lagers.

De todos os estilos de cervejas produzidos na Alemanha, somente quatro não são Lagers (são Ales), são elas: a Weizenbier (cerveja de trigo tradicional da Baviera), a Kölsh (original da cidade de Colônia), a Altbier da cidade de Düsseldorf e a Berliner-Weisse de Berlim.

Todos os outros estilos de cerveja, Schwarzbier, Munich Helles, Bock, Pils, Märzenbier, Oktoberfestbier, Kellerbier, Dunkel, Vienna, Doppelbock e qualquer outro estilo tradicional de cerveja feito nas atuais Alemanha, Áustria e Republica Checa, são Lagers.

Porque as Lagers são tão populares lá?

Como antigamente (antes do sec. XV) só era possível fazer cerveja nos frios meses de inverno, os alemães revolucionaram o mundo cervejeiro ao começarem a armazenar grandes blocos de gelo formado nos lagos e rios, em grandes cavernas onde eles armazenariam (Laguer em alemão) a cerveja para ser consumida no verão.

Devido a esse processo, os alemães acidentalmente selecionaram um tipo de levedura mais resistente ao frio e que produzia cervejas mais límpidas e com menos sabores indesejados, muito antes de se ter conhecimento do que eram leveduras.

escolas cervejeiras - ceva alema
Alguns rótulos da Escola Alemã

Escola Belga

escolas cervejeiras-BelgaA escola Belga, diferentemente da Alemã, não foi marcada por uma lei restringindo os ingredientes ou processos de produção, inclusive, tudo aquilo que pudesse agregar sabor ou valor a cerveja era válido ser experimentado. Ou seja, as cervejas poderiam ser feitas com diversos tipos de cereais, podiam ter adições de frutas e mel, podiam além do lúpulo, receber outros temperos (como no caso das Witbiers onde, alem do lúpulo, também são adicionadas cascas de laranja e sementes de coentro), podiam conter açúcar e caramelo na sua formulação. Algumas cervejas não eram nem inoculadas com fermento, eram simplesmente deixadas para serem fermentadas espontaneamente por micro-organismos presentes na atmosfera (fermentação espontânea).

Vale lembrar que a complexidade das cervejas belgas não vem simplesmente do fato de, na Bélgica se poder usar praticamente qualquer ingrediente na produção da cerveja, mas sim das leveduras (cepas e blends) que as cervejarias e monastérios por séculos cultivaram e guardam a sete chaves.

A Bélgica e seus monges

A Escola Belga é marcadas pela beleza dos seus monastérios, onde até hoje, muitos deles ainda produzem cerveja como em séculos passados. Nesses monastérios foram formuladas muitas das mais tradicionais cervejas produzidas até hoje, como as Trappistas, Blondes, Brunes, Dubbels, Trippels e Quadruppels, todas cervejas de alta fermentação (Ales) e normalmente bastante condimentadas e excêntricas.

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Alguns rótulos da Escola Belga

Escola Inglesa

escolas cervejeiras-inglesaDiferente das escolas Alemã e Belga, a escola Inglesa é marcada por suas Ales (escuras, em sua maioria), servidas em pints e muitas vezes condicionadas em barris de carvalho. As Ales britânicas (a escola não está limitada apenas a cervejas produzidas na Inglaterra, mas também em todas as ilhas britânicas), são cervejas normalmente mais escuras, com caráter mais maltado e uma carbonatação mais amena.

Britânicos e a “cerveja das cinco”

Os britânicos dão muito valor às cervejas que bebem e normalmente se identificam com o tipo de cerveja produzido localmente. Como os britânicos gostam de beber e não bebem pouco, a grande maioria das cervejas britânicas é de teor alcoólico mais baixo e são normalmente fáceis de beber, como é o caso das Bitters, conhecidas por serem as cervejas dos camponeses, da qual eles podem beber o dia todo e continuar trabalhando. Há também a famosa London Porter, largamente consumida por toda população britânica, cuja popularidade gerou diferentes interpretações do estilo, como a Brown Porter, Baltic Porter e a Robust Porter.

A Stout (em inglês, “robusto”) nasceu da ideia de copiar a popular London Porter, porem a cópia feita era mais encorpada e robusta que a Porter original, o que acarretou em um estilo novo de cerveja hoje muito popular nas ilhas britânicas, principalmente na Irlanda, onde a Guinnes é a marca registrada do país.

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Alguns rótulos da Escola Inglesa

Escola Americana

escolas cervejeiras-americanaFinalmente chegamos à recente escola Americana, que tenta se estabelecer nas últimas décadas, se destacando, principalmente, por não ser somente uma escola singular, mas sim uma escola que incorporou todas as três escolas cervejeiras anteriores criando algo completamente novo. Ou seja, as cervejas americanas (é claro, estou falando daquelas artesanais e não das produzidas em massa), são caracterizadas pela nova interpretação de estilos já existentes de cerveja.

American way of beer

O americano segue aquele estilo de vida peculiar, querendo sempre “mais”. Carros mais potentes e extravagantes, casas maiores, mais açúcar, mais coca-cola, mais bacon (ok, essa eu também aprovo), mais fritura, mais, mais e mais. Pois o “American Way of Life” também se reflete na escola Americana de cervejas, pois os americanos e fazem cervejas mais amargas, mais alcoólicas, mais encorpadas, mais robustas, com ingredientes mais incomuns (como abóbora e bacon), sempre tentando criar algo novo e com a personalidade da terra do tio Sam.

Os americanos são responsáveis pela reinvenção de alguns estilos de cerveja, como as American IPAs (interpretação americana da IPA britânica) porém com uma maior presença do lúpulo (mais, mais, mais…) além da utilização de lúpulos americanos com caráter mais cítrico.

Não bastando ter reinventado as IPAs, os americanos tiveram de inventar um estilo ainda mais lupulado, o estilo Imperial IPA, Cervejas ainda mais alcoólicas, com muito mais malte, muito mais amargas, e claro, mais aromáticas que as IPAs. Aliás, nos EUA, qualquer estilo de cerveja pode ser transformado em uma “Imperial alguma coisa”, tipo Imperial Pilsen, Imperial Kölsch, Imperial Amber Ale e por assim vai.

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Alguns rótulos da Escola Americana

Particularmente, prefiro a escola de cervejas Inglesa (apesar de não ser fã da Guiness) e suas Porters e Stouts, mas e você, com qual escola cervejeira se identifica mais?

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Sobre Leandro Webster

Sou um Gerente de Projetos especialista em e-commerce. Apoio as IPA's e o lúpulo. Meu sobrenome se lê vêbister, não uébister. Rascunho de homebrewer

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